Dia das Crianças: ISD destaca o brincar como ferramenta essencial para o neurodesenvolvimento na primeira infância

Fotografia de uma criança deitada sobre um tatame, desenhando em uma folha de papel.
Publicado em 13 de outubro de 2026

No imaginário popular, o Dia das Crianças é sinônimo de festas e presentes. No entanto, para a ciência, a primeira infância – período que abrange desde a gestação até os 6 anos de idade – é, sobretudo, a janela de oportunidades mais importante da vida humana. É nessa fase que o cérebro infantil forma milhares de novas conexões neurais por segundo, uma complexidade que depende diretamente de fatores cruciais, como aspectos biológicos, as experiências e as relações que a criança estabelece com quem cuida dela. 

No Instituto Santos Dumont (ISD), referência nos estudos do cérebro e na reabilitação de pessoas com deficiência, o brincar ganha status de ferramenta terapêutica fundamental para o desenvolvimento neurofuncional e comunicativo. A preceptora psicóloga do ISD, Júlia Carmo, explica que o brincar vai muito além do entretenimento. “Para o bebê e para a criança pequena, brincar é uma das principais maneiras de conhecer o próprio corpo, experimentar o ambiente, estabelecer relações, desenvolver a comunicação, expressar emoções e construir novas aprendizagens”, destaca.

Segundo a especialista, o adulto pode contribuir com esse processo. Para isso, não precisa se transformar em professor, mas estar disponível para entrar no universo infantil por meio da observação e do acolhimento. 

Quando um bebê balbucia e recebe uma resposta, ou quando aponta para um objeto e o adulto acompanha seu interesse, cria-se uma troca indispensável para a construção da arquitetura cerebral. “O vínculo seguro é justamente aquilo que favorece a exploração. A criança não precisa de uma infância repleta de atividades programadas para se desenvolver. Ela precisa de relações suficientemente boas, segurança, oportunidades de explorar, tempo para brincar, movimento, linguagem, afeto, limites e presença”, pontua a psicóloga.

A linguagem que nasce do lúdico

Se a psicologia aponta o brincar como base para a segurança emocional e formação de vínculos, a fonoaudiologia o traduz como o berço da linguagem e da fala. É por meio da imitação de sons, gestos, expressões faciais e interações sociais que os bebês compreendem o mundo e começam a se comunicar.

No ISD, essa abordagem ganha força prática com o Grupo Multiterapêutico de Interação Social (MultiGIS), voltado à estimulação da linguagem na primeira infância. Coordenado por preceptores, residentes do Instituto e estudantes, o projeto tem um foco central: protagonizar a família no cuidado.

“O MultiGIS objetiva promover a interação social entre os bebês e as crianças, além da aprendizagem prática das famílias sobre estratégias de estímulo para a comunicação”, explica a preceptora fonoaudióloga Mirelly Danglês. 

A especialista ressalta que a evolução observada nos pequenos participantes do grupo é fruto de uma somatória de fatores que inclui o contato com outras crianças e a rica troca de experiências entre os próprios familiares. 

O cotidiano como espaço de desenvolvimento

Com a correria da vida moderna e a falta de tempo livre, muitas famílias carregam o peso de não oferecer estímulos suficientes aos seus filhos. Kettily Katiane é mãe do pequeno Arthur Gael, de 1 ano e 11 meses. Ela e o filho participam semanalmente das atividades do MultiGIS, além de serem acompanhadas por outros serviços ofertados pelo Instituto. Kettily reconhece a importância da estimulação precoce para o desenvolvimento do seu primeiro filho.

“O grupo estimula ele a brincar, a participar de brincadeiras e interações com outras crianças e a partilhar brinquedos e objetivos. Percebo que ele está aprendendo a se comunicar com outras crianças e com o mundo ao seu redor”, conta.

No entanto, os estímulos não ficam restritos ao momento de interação em grupo. Os familiares são orientados pela equipe multiprofissional do ISD a manter a estimulação em casa. “Quando as famílias aplicam essas estratégias no dia a dia, os avanços aparecem mais rápido. E o melhor: não é preciso passar horas no chão brincando. Os pais podem estimular a fala durante as refeições, as trocas de roupas ou no trajeto para a escola, tornando a criança participativa nas atividades de vida diária”, reforça Mirelly Danglês.

O acesso ao MultiGIS, que ocorre todas as sextas-feiras pela manhã no Centro de Educação e Pesquisa Anita Garibaldi (Anita), em Macaíba, contempla crianças acompanhadas pelo serviço materno-infantil do ISD desde o período gestacional, cujos encaminhamentos ocorrem após triagem fonoaudiológica.

Sobre o ISD

O Instituto Santos Dumont (ISD) é uma Organização Social do Poder Executivo Federal, supervisionada pelo Ministério da Educação, com interveniência dos Ministérios do Esporte e da Saúde. Engloba o Instituto Internacional de Neurociências Edmond e Lily Safra e o Centro de Educação e Pesquisa em Saúde Anita Garibaldi, ambos em Macaíba. A missão do ISD é promover educação para a vida, formando cidadãos por meio de ações integradas de ensino, pesquisa e extensão, além de contribuir para a transformação mais justa e humana da realidade social brasileira.

Assessoria de Comunicação
comunicacao@isd.org.br
(84) 99416-1880

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