A primeira sessão do SIG Re(h)abilitar 2026 consolidou-se como um marco para a qualificação da Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência no Brasil. O evento inaugural, que reuniu mais de 150 dispositivos conectados simultaneamente em todo o país, foi o palco para o lançamento oficial do “Guia de orientação para implementação do Projeto Terapêutico Singular (PTS) na Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência”.
A conferência virtual, realizada na tarde desta quarta-feira (1º), foi conduzida por Arthur Medeiros, coordenador-geral de Saúde da Pessoa com Deficiência do Ministério da Saúde, e Camila Simão, coordenadora do Centro Especializado em Reabilitação (CER) do ISD. Ambos participaram da elaboração do Guia, que também contou com a colaboração de pesquisadores de universidades federais e centros de pesquisa.
O documento, disponível no site do Ministério da Saúde (clique aqui para acessá-lo), visa oferecer um aporte teórico e prático para profissionais e gestores. O foco é a implementação do Projeto Terapêutico Singular (PTS), uma estratégia que organiza o cuidado de forma individualizada, considerando as necessidades específicas de cada usuário, em vez de aplicar protocolos genéricos.
Para Arthur Medeiros, o lançamento é o resultado de um esforço contínuo de gestão. “O Projeto Terapêutico Singular tem sido objeto de trabalho desde 2023, quando assumi a coordenação. O tema vem sendo debatido para avançar na qualificação e no cuidado na Rede”, afirmou. O coordenador-geral ressaltou ainda a natureza estratégica do documento. Segundo ele, o objetivo é “reconhecer o PTS como ferramenta de cuidado, mas também de gestão. É um documento que dá o aporte teórico aos profissionais e aos gestores para a implementação”.
Modelo Biopsicossocial em foco
A importância do PTS reside na sua capacidade de transformar a lógica da reabilitação. Em vez de focar apenas na “cura” ou na correção de uma deficiência, o modelo busca a autonomia e a funcionalidade do paciente em seu contexto social.
A coordenadora do Centro Especializado em Reabilitação do ISD, Camila Simão, destacou que essa mudança de paradigma é o que norteará as próximas sessões do grupo. “É importante a gente pensar que a deficiência não deixa de existir. Se o foco for corrigir a deficiência, teremos um paciente vinculado ao serviço durante a vida toda. Por isso, devemos priorizar o modelo biopsicossocial como sendo uma alternativa ao modelo biomédico tradiciona e o foco precisa ser a Participação e Inclusão Social”, explicou a coordenadora.
Sobre o SIG Re(h)abilitar
O SIG Re(h)abilitar é um Grupo de Interesse Especial (Special Interest Group) que integra a Rede Universitária de Telemedicina (RUTE). Ele funciona como uma rede de colaboração e aprendizado contínuo, conectando instituições de saúde e ensino em todo o Brasil para discutir melhores práticas, compartilhar evidências científicas e fortalecer a assistência à pessoa com deficiência.
A sessão inaugural marca o início de uma série de outros oito encontros previstos para 2026, onde o PTS e o modelo biopsicossocial continuadamente serão os eixos centrais dos debates. As sessões ocorrem na primeira quarta-feira de cada mês. O calendário prevê encontros síncronos até dezembro.
Para participar, novos usuários precisam se cadastrar gratuitamente na plataforma da RNP, por meio do site https://rcc.rnp.br/RUTE/aovivo. A webconferência é voltada para profissionais de saúde, gestores, pessoas com deficiência, estudantes e pesquisadores.
Sobre o ISD
O Instituto Santos Dumont (ISD) é uma Organização Social do Poder Executivo Federal, supervisionada pelo Ministério da Educação, com interveniência do Ministério do Esporte. Engloba o Instituto Internacional de Neurociências Edmond e Lily Safra e o Centro de Educação e Pesquisa em Saúde Anita Garibaldi, ambos em Macaíba. A missão do ISD é promover educação para a vida, formando cidadãos por meio de ações integradas de ensino, pesquisa e extensão, além de contribuir para a transformação mais justa e humana da realidade social brasileira.



