Pesquisa avalia efeitos da reabilitação auditiva na funcionalidade de usuários

A imagem apresenta uma mulher jovem, sorridente, posando em um ambiente institucional de saúde. Ela tem pele clara, cabelos pretos na altura dos ombros e usa óculos de grau com armação arredondada. Ela veste uma blusa preta com um nó no decote e um jaleco branco aberto por cima, com as mãos apoiadas nos bolsos do jaleco. Ao fundo, há uma parede clara e uma placa vertical azul e branca fixada nela. Texto contido na placa (verbatim): CENTRO ESPECIALIZADO EM REABILITAÇÃO AUDITIVA FÍSICA INTELECTUAL VISUAL AQUI TEM SAÚDE SEM LIMITE
Publicado em 18 de agosto de 2026

Quando se fala em reabilitação auditiva, é comum pensar primeiro na capacidade de ouvir melhor. Mas os efeitos de uma perda auditiva podem ultrapassar a percepção dos sons e interferir em diferentes aspectos da vida cotidiana, como comunicação, autonomia, atividades diárias e participação social.

A partir dessa perspectiva, um estudo desenvolvido pela fonoaudióloga Melissa Santos, egressa do Programa de Residência Multiprofissional no Cuidado à Saúde da Pessoa com Deficiência do Instituto Santos Dumont (ISD), avaliou os impactos da reabilitação na funcionalidade de pessoas com perda auditiva.

Publicado em formato de comunicação breve na revista científica CoDAS, periódico especializado na área de Fonoaudiologia, o trabalho comparou a percepção dos participantes antes e após um ano de uso de aparelhos auditivos. Para além de verificar mudanças relacionadas à audição, o estudo buscou compreender como a intervenção poderia repercutir na vida desse indivíduo. 

Para avaliar esses aspectos, o estudo utilizou o WHODAS 2.0, instrumento desenvolvido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), para avaliar funcionalidade e incapacidade em diferentes condições de saúde. A ferramenta permite observar a percepção do próprio indivíduo sobre dificuldades enfrentadas em áreas como cognição, mobilidade, autocuidado, relações interpessoais, atividades da vida e participação social.

“Esse instrumento é muito utilizado nas pesquisas com adultos no Instituto. Com ele, é possível manter o processo de reabilitação focado no indivíduo e na sua família, garantindo um entendimento sobre como a sua deficiência está impactando os diversos âmbitos da sua vida e o que pode ser feito no contexto dele, garantindo um atendimento e tratamento individualizado”, explica Melissa.

A utilização desse tipo de instrumento amplia o olhar sobre o processo terapêutico. Em vez de considerar apenas aquilo que pode ser observado clinicamente, a avaliação também incorpora a experiência da própria pessoa.

Perda auditiva: além da capacidade de ouvir 

A audição desempenha um papel fundamental na comunicação, ela está diretamente relacionada a interações com o ambiente. Por isso, uma perda auditiva pode repercutir em impactos para além do ouvir. 

Dificuldades de acompanhar conversas, participar de atividades em grupo, realizar determinadas atividades ou manter a própria autonomia, todas essas experiências consideradas básicas podem ser diretamente afetadas. Esses efeitos, no entanto, podem variar de acordo com a realidade, as necessidades e o contexto de cada indivíduo. 

O estudo

Uma das contribuições do estudo está justamente na valorização da percepção do próprio indivíduo. Quando um usuário consegue relatar como determinada condição interfere na sua rotina, é possível compreender melhor quais são as suas principais dificuldades e quais aspectos devem ser considerados durante o planejamento da reabilitação.

O trabalho foi orientado pela preceptora fonoaudióloga do ISD, Gizele Nascimento e autorado pelas preceptoras fonoaudióloga, Rogéria Dias e fisioterapeuta, Jade Padilha. Para a autora Melissa, a publicação também representa uma etapa importante de sua trajetória acadêmica e profissional, construída ao longo de sua formação no ISD.

“É muito importante divulgar o nosso trabalho e as ações realizadas no Instituto, porque isso engrandece as discussões sobre a saúde da pessoa com deficiência no âmbito do SUS. Acredito que todo o apoio e orientação que recebi no ISD foi fundamental para a minha evolução como pesquisadora e cientista”, afirma. 

Ao investigar os efeitos das reabilitação, o estudo contribui para ampliar a discussão sobre os resultados esperados de um processo terapêutico: mais do que um processo de reabilitação, é fundamental entender de que maneira o cuidado pode contribuir para que a pessoa exerça suas atividades, mantenha sua autonomia e participe da vida em sociedade.

Sobre o ISD

O Instituto Santos Dumont (ISD) é uma Organização Social do Poder Executivo Federal, supervisionada pelo Ministério da Educação, com interveniência do Ministério do Esporte. Engloba o Instituto Internacional de Neurociências Edmond e Lily Safra e o Centro de Educação e Pesquisa em Saúde Anita Garibaldi, ambos em Macaíba. A missão do ISD é promover educação para a vida, formando cidadãos por meio de ações integradas de ensino, pesquisa e extensão, além de contribuir para a transformação mais justa e humana da realidade social brasileira. 

Assessoria de Comunicação
comunicacao@isd.org.br
(84) 99416-1880

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