Projeto do ISD ensina gestantes a controlar o diabetes sem restrições severas na alimentação

Publicado em 16 de outubro de 2026

O diagnóstico de diabetes mellitus gestacional (DMG) costuma vir acompanhado de muitas dúvidas e de um receio comum: a ideia de que a gravidez precisa ser marcada por restrições severas à mesa. No entanto, o cuidado com a alimentação nesse período pode ser um processo de aprendizado e autocuidado, sem abrir mão do sabor das refeições. É com esse foco que o Instituto Santos Dumont (ISD) desenvolve o projeto Gestar&Nutrir, que orienta gestantes sobre alimentação saudável durante a gravidez.

Diferente de abordagens tradicionais baseadas em proibições rígidas, a iniciativa aposta na educação alimentar prática por meio de oficinas culinárias, onde as futuras mães colocam a mão na massa. A proposta é adaptar pratos saudáveis à realidade e aos hábitos que elas já possuem no dia a dia, culminando na criação de um livro de receitas colaborativo que ficará à disposição de outras gestantes.

“Queremos mostrar que é possível controlar o diabetes gestacional sem dietas extremamente restritivas, respeitando os hábitos alimentares e a realidade de cada mulher. Nosso foco é promover conhecimento e qualidade de vida para elas”, aponta o preceptor nutricionista Antônio Carlos Aquino, responsável por conduzir as atividades.

Na primeira atividade realizada pelo projeto, as gestantes aprenderam a preparar seis opções diferentes: panqueca de banana, coxinha fit, cuscuz com aveia e sardinha, vitamina de morango, granola caseira e patê de cenoura com ricota. Todas as receitas foram elaboradas por estudantes de nutrição da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), sob a supervisão do preceptor do ISD.

A dona de casa Maria Priscila Bento foi uma das participantes da atividade e ficou responsável pelo preparo do cuscuz com aveia e sardinha, sendo a inclusão da aveia uma grande novidade para ela. “Estou na minha quinta gestação. Dessa vez, desenvolvi hipertensão, obesidade e estou com risco de diabetes. Então, essa atividade permite que eu aprenda a me alimentar melhor e, consequentemente, tenha uma gravidez mais saudável”, afirmou.

Por que o cuidado nutricional faz toda a diferença na DMG?

A Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) estima que, no Brasil, cerca de 18% das gestantes desenvolvem o diabetes mellitus gestacional. A condição ocorre porque, durante a gravidez, o corpo passa por intensas transformações hormonais e metabólicas. Se não manejado adequadamente, o DMG pode trazer complicações a curto e longo prazo para a mãe e para o bebê, variando desde parto prematuro e pré-eclâmpsia até o nascimento do recém-nascido acima do peso recomendado, com riscos de hipoglicemia e desconforto respiratório.

Uma alimentação rica em nutrientes, que garanta proteínas, cálcio, ferro, vitaminas B e D, além de fibras, é indispensável tanto para o desenvolvimento saudável do bebê quanto para a proteção da saúde materna. No caso da diabetes gestacional, o planejamento alimentar desempenha um papel central no controle da glicemia e na prevenção de complicações no parto e no pós-parto.

Na prática, o segredo está na composição das refeições: equilibrar as quantidades de carboidratos, priorizar fibras e proteínas, e reduzir o consumo de produtos ultraprocessados.

Um dos grandes entraves no tratamento da DMG é a desinformação. O nutricionista Antônio Carlos destaca que um dos mitos mais comuns é associar o aparecimento da condição exclusivamente ao consumo de doces.

“Muitas pacientes dizem: ‘Eu nem gosto de doce, prefiro salgado. Por que tenho diabetes?’. A doença está relacionada às alterações hormonais da gravidez e ao consumo exagerado de alimentos salgados, como pão, biscoitos, arroz, tapioca e cuscuz, que também contêm carboidratos que influenciam a glicemia”, explica. 

Outro equívoco recorrente é a crença de que frutas e fontes importantes de carboidrato devem ser banidas do prato. O eixo central do acompanhamento é o equilíbrio e a combinação inteligente dos alimentos, e nunca a eliminação total de grupos alimentares.

Ao unir teoria, troca de experiências e a prática na cozinha, o projeto reforça que ter diabetes gestacional não significa abrir mão do prazer de comer bem. O aprendizado construído em grupo capacita as mulheres a fazerem escolhas conscientes que repercutem positivamente por toda a vida.

Sobre o ISD

O Instituto Santos Dumont (ISD) é uma Organização Social do Poder Executivo Federal, supervisionada pelo Ministério da Educação, com interveniência dos Ministérios do Esporte e da Saúde. Engloba o Instituto Internacional de Neurociências Edmond e Lily Safra e o Centro de Educação e Pesquisa em Saúde Anita Garibaldi, ambos em Macaíba. A missão do ISD é promover educação para a vida, formando cidadãos por meio de ações integradas de ensino, pesquisa e extensão, além de contribuir para a transformação mais justa e humana da realidade social brasileira.

Assessoria de Comunicação
comunicacao@isd.org.br
(84) 99416-1880

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