Pesquisadores desenvolvem sistema baseado em inteligência artificial para a melhoria do diagnóstico da disfagia

Foto de duas pessoas em uma biblioteca. Uma mulher de pele clara, cabelo longo e liso castanho-escuro, usando blusa branca e colete ou blazer sem mangas preto. Ela está inclinada para a frente, olhando para baixo, com expressão concentrada. Ao seu lado está um homem de pele clara, cabelo curto, usando óculos escuros e camisa de manga curta cinza. Ele também está inclinado para a frente, sorrindo levemente, observando a mesma direção que a mulher. A mulher aponta para uma tela de computador que exibe uma imagem colorida.
Publicado em 5 de junho de 2026

Utilizar a tecnologia para aprimorar o diagnóstico fonoaudiológico e da disfagia: este foi o principal objetivo de um estudo desenvolvido por cientistas do Instituto Santos Dumont (ISD), cujos resultados foram publicados recentemente no periódico internacional Scientific Reports, do grupo Nature.

Disfagia é a dificuldade de engolir alimentos e líquidos, comum em pessoas idosas e com doenças neurológicas. O diagnóstico da condição acontece por meio da videoendoscopia da deglutição, exame que, para o seu melhor resultado, depende de fatores como o contexto clínico e a qualidade da imagem. 

Por isso, a equipe de pesquisadores do ISD desenvolveu um sistema baseado em inteligência artificial capaz de melhorar as imagens do exame, rastrear as estruturas envolvidas na deglutição e identificar os eventos de penetração e aspiração – nome dado às falhas durante a deglutição, onde o alimento ou a saliva entram na via respiratória em vez de seguir para o esôfago.

Além disso, o sistema desenvolvido aprimora a literatura da área, permitindo, de forma inovadora, a classificação de gravidade dos resíduos alimentares restantes após a deglutição. Assim, o profissional consegue identificar o percentual de resíduos leves, moderados e graves em áreas específicas da boca, faringe e esôfago.

Autorado pela fonoaudióloga e egressa do Programa de Pós-Graduação (PPGN) do ISD, Luiza Araújo, que desenvolveu o dispositivo como parte de sua conclusão de mestrado, o trabalho tem orientação da professora pesquisadora do ISD, Caroline Cunha do Espírito Santo. 

“Este estudo impacta não somente o profissional que está realizando o exame, mas também o paciente que está recebendo o resultado, que tem acesso a um diagnóstico mais preciso, e assim, um cuidado fonoaudiológico mais personalizado e, consequentemente, uma melhor qualidade de vida”, considera Luiza. 

Como parte da validação do sistema, os cientistas analisaram bancos de dados e laudos referentes à videoendoscopia da deglutição, comparando os resultados da tecnologia desenvolvida com os resultados de especialistas. A pesquisa observa que o sistema apresenta desempenho compatível com os resultados de profissionais, indicando seu potencial de utilização no cenário clínico.

O estudo, desenvolvido por equipe multiprofissional, reforça a importância da colaboração entre múltiplas áreas do conhecimento para a solução de desafios globais relacionados à saúde, reabilitação e qualidade de vida. A professora pesquisadora Caroline Cunha, que orienta o projeto, destaca a utilização de inteligência artificial (IA) para identificar alterações na deglutição, como um importante avanço complementar no diagnóstico da disfagia. 

“A IA não vem para substituir o profissional de saúde, mas para atuar como uma ferramenta de apoio, contribuindo para maior agilidade na análise dos exames de VED, monitoramento contínuo das alterações da deglutição e detecção precoce de mudanças clínicas, favorecendo a otimização do processo de reabilitação de pessoas com disfagia, como indivíduos com doença de Parkinson, acidente vascular cerebral e esclerose lateral amiotrófica”, afirma Caroline.

O artigo “Artificial intelligence and image processing framework for automated airway invasion detection and residue classification from swallowing endoscopy” foi publicado no Scientific Reports  e pode ser acessado em: https://doi.org/10.1038/s41598-026-44495-4.

Além de Luiza Araújo e Caroline Cunha, participaram do artigo os pesquisadores Enzo Rangel, Anibal Cotrina-Atencio (Universidade Federal do Espírito Santo), Vitória Gomes dos Santos, Ana Maria da Costa dos Santos Reis (também preceptora fonoaudióloga no ISD), Hipólito Magalhães e Lidiane Ferreira (Universidade Federal do Rio Grande do Norte) e o professor pesquisador do ISD André Felipe Oliveira de Azevedo Dantas.

Sobre o ISD

O Instituto Santos Dumont (ISD) é uma Organização Social do Poder Executivo Federal, supervisionada pelo Ministério da Educação, com interveniência do Ministério do Esporte. Engloba o Instituto Internacional de Neurociências Edmond e Lily Safra e o Centro de Educação e Pesquisa em Saúde Anita Garibaldi, ambos em Macaíba. A missão do ISD é promover educação para a vida, formando cidadãos por meio de ações integradas de ensino, pesquisa e extensão, além de contribuir para a transformação mais justa e humana da realidade social brasileira.

Assessoria de Comunicação
comunicacao@isd.org.br
(84) 99416-1880

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